Do Sonho à realidade.

Requiem for a Dream é um daqueles filmes que te deixa pasmo quando você termina de assistir, te causa vertigens e fascinação, é como uma viagem surreal pelo Reino do Sonho e de repente te suga para mais cruel realidade. Marcante desde o título até a última cena, uma cerimônia fúnebre à morte de um sonho.

Diferente dos outros filmes que retratam esse tema, em Réquiem, a atmosfera vai se tornando mais densa ambientada por uma trilha sonora fantástica produzida por Clint Mansell. Considero as trilhas sonoras partes fundamentais dos filmes, elas criam todo um clima entre o espectador e a história, e Mansell soube fazer isso muito bem.

Esteticamente a película também é surpreendente. Há cenas que são retratadas de maneira inovadora em que o personagem vai do deleite ao delírio, da ingênua felicidade ao desespero; o diretor Darren Aronofsky não mostra o fato em si, e sim a percepção que os personagens têm do fato, os sentimentos e sensações deles em relação ao que acontece, fazendo com que o espectador entre realmente no drama do filme.

O filme começa narrando a trajetória de quatro pessoas:

Harry Goldfarb (Jared Leto) é um jovem viciado em heroína, que namora a bela e rebelde Marion (Jennifer Connelly), juntos se drogam, sonham montar uma loja e ser felizes para sempre. rfd

Tyrone (Marlon Wayans) é o seu melhor amigo e assim como eles também usuário de drogas. O grande sonho de Tyrone é fazer o que prometeu quando pequeno à sua mãe : “Ser alguém na vida…”.

Sara Goldfarb (Ellen Burstyn) é mãe de Harry, uma viúva que esconde sua solidão no seu vicio pela tevê, assistindo programas populares. A excelente atuação de Ellen Burstyn emociona, provavelmente a historia mais forte do filme. Um dia Sara recebe uma ligação avisando que ela foi sorteada para aparecer no seu programa favorito, assim ela cria uma obsessão que acaba levando-a a decadência.

nNum dialogo com Harry, Goldfarb desabafa:

“Eu sou alguém agora Harry, todos gostam de mim, breve, milhões de pessoas irão me ver e gostar de mim. Contarei a eles sobre você, seu pai […]. É uma boa razão para eu me levantar de manhã, é uma boa razão para perder peso e caber no vestido vermelho, é uma razão para sorrir e me faz acreditar no futuro. O que eu tenho Harry? Para que devo fazer a cama, lavar os pratos? Eu faço, mas para quê? Estou sozinha. Seu pai foi embora, você foi embora, não tenho ninguém de quem cuidar.[…] Gosto de pensar no vestido vermelho e na televisão… agora quando eu vejo o sol, eu sorrio”.

Os destinos de todos os personagens parecem fadados às desgraças da vida real e você sente que algo ruim irá acontecer a qualquer momento. Eles se enganam. Chega a ser comovente o casal Harry e Marion prometendo um ao outro a 600km de distância que tudo ficará bem, mesmo cada um sabendo que não vai ficar. Mas quem já não tentou se enganar na vida?

Absorvidos pelo abraço frio do Inverno os personagens degradam, os finais acontecem ao mesmo tempo, a câmera frenética e as sequencias das cenas vão ficando mais rápidas como se a realidade os tivesse puchado de uma grande altura e eles caem. A música final é como uma estranha canção de ninar, cada um se encolhe como um bebê, tentando se proteger, querendo um pouco de proteção ou apenas tentando ainda guardar algo bom.

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Por: Nádia Camuça

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5 Respostas para “Do Sonho à realidade.

  1. olha.”réquiem para um sonho” é um filme extremamente denso.eu não esperava encontrar por isso quando assisti e me senti mal mesmo.acho que tem uma dose de densidade,tensão e agressividade muito grande pra um filme.o diretor pega todos aqueles personagens,que por mais marginais que sejam criam uma relação afetiva com o espectador,e joga-os ao lixo,à lama,à podridão.o filme me chocou muito.foi o filme que mais me chocou.eu considero o filme mais denso que já vi.já assisti umas duas vezes mas ainda sim,não considero um bom filme pra se assistir em dias tristes.é o tipo de filme que deveria ter na censura:”não recomendado para pessoas melancólicas e com anseios suicidas”.acho uma carga muito pesada pra um filme carregar.nem consigo formar uma opinião sobre o filme.não sei se é bom ou ruim.só sei que machuca.e dependendo do dia,machuca muito.

  2. Realmente V de Vingança é um filme fantástico. Não tem como não sentir uma esperança, uma vontade de mudar o mundo e nós mesmos depois de vê-lo. De certo modo, ele é como outro filme que tem mais ou menos a mesma temática, o OldBoy. Só que acho OldBoy mais “denso” e “underground” que V de Vingança, mas é um filme tão bom quanto, na minha opnião. Ótimo blog, tá linkado lá no meu!

  3. Pingback: Requiém for a Dream – Darren Aronofsky, 2000 « Caos, doce caos.

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