Les Amants Regulaires

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A beleza e o chame de Louis é inegavelmente um atrativo, para tietes de atores franceses como eu.
Os Amantes Constantes é mais um filme que me faz constatar que os diretores franceses são artistas plásticos de pinturas em movimento. Eu não sei, eles têm um olhar, eles realmente sabem como captar um um espectador pela magia nas imagens e na construção das cenas, na troca de olhares entre os atores, em gestos simples, em cenas simples arquitetadas com tanta delicadeza mesmo que a história em si não seja tão forte quanto as imagens, mas afinal, se cinema fosse só roteiro, o que seria? [não me atirem pedras, favor.]
 
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Ainda dou sete e meio pelos seguintes erros, na minha insignificante opinião: 
 
1: François [personagem de Louis Garrel] poderia ter sido mais. Ele é caracterizado como um poeta e um revolucionário, mas se perde não sendo nem um nem outro, seus poemas são pouco mostrados [que que tem a ver?], e eu pensei que como um artista ele pudesse ter um papel mais importante na revolução, já que o filme se passa em 68/69. 
 
2: O filme começa com uma ideia utópica e com um teor político para depois esse ser esquecido, a tentativa de misturar amor e política não deu muito certo, pois em um momento do filme a revolução fica totalmente esquecida. 
 
3: Eu esperava novas ideias acerca do movimento revolucionário francês, talvez tivesse sido mais interessante de Philipe Garrel tivesse nos mostrado novos ângulos sobre a revolução e não o velho utopismo juvenil. Minha opinião é bem amarga, confesso, mas eu não sou muito ativista e sou muito desacreditada, e todo sabemos que o sonho comunista nunca se concretizou de fato.
 
Como já foi dito, é um belo trabalho visual, eu não achei entendiante, apesar das três horas de filme, não, eu não consegui assistir tudo de uma vez, mas não por ser chato e sim por falta de tempo. Pensei que ia me decepcionar, mas eu não consigo dizer que o filme é ruim ou que não gostei, me desagradou alguns pontos, talvez se tivesse sido somente uma história de amor [a de François e Lillie] teria sido adorável do começo ao fim, toda a história deles é simples, mas encantadora.
 
Recomendação: não assista se você estiver esperando um filme cheio de surpresas. Muita gente fica dizendo que o filme é chato porque é simples, não tem um grande climax, ou um grande suspense sobre nada, não é um filme intenso, é simples, delicado, minimalista.
 
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Profissão: Repórter (The Passenger – Michelangelo Antonioni – 1975)

Já havia começado a ver Profissão: Repóter no começo do ano (eu acho), mas só agora fui ver de novo.

Minha opinão super leiga é que: é um filme ‘diferente’ em todos os aspectos. Adorei o jeito de Antonioni contar a história, adorei o modo como ele molda a arte cinematrográfica. O tais planos que sempre estão presentes nas critícas por aí (isso não é uma, com certeza), são bem experimentados. Além disso, Antonioni explorou meus sentindos, principalmente com  um trabalho de sonoplastia de mestre. 

Aquele detalhe básico, que já deve estar contido em vários comentários por aí: o filme não possui trilha sonora. E o mais lindo: nem faz falta! Que foda. 

Tudo é muito simples, aparentemente, mas eu fiquei por um tempo me perguntando: o que tudo isso quer dizer? É mais do que um homem que quer se libertar de sua vida apática e infeliz. É mais do que relatos de um povo lutando pela liberdade. É mais do que uma jovem e seus também juvenis ideais, confrontando o desconhecido. O filme The Passenger é a liberdade.

Uma das últimas cenas é tão simples, mas para mim foi tão bela, que me deu vontade de chorar, achei de uma sensibilidade absurda. Antonioni é um artista fabuloso nesse filme (precisava nem falar.). A câmera fixa filmando o portão, filmando o calor, filmando o cansaço, filmando a solidão. A morte se proximando, se aproximando, enquanto vamos chegando mais perto da saída, do fim. Da liberdade?

Crash (David Cronenberg – 1996)

Aviso: aqui você vai encontrar muitos pensamentos confusos e idéias soltas. Não fiz muitas revisões desse texto.

Assistir Crash foi para mim a junção de dois lados opostos simultaneamente: ver um filme muito simples e ver um filme muito intrigante. Simples, pois as imagens são simples, sem grandes metáforas que dão abertura para diversas teorias que tantos críticos adoram fazer (não que essa simplicidade seja um defeito). Intrigante, por alguns elementos “estranhos” no filmes, como: as expressões do atores, principalmente da esposa de Ballard, que trazia um olhar sempre distante e imparcial em seus diálogos. Obviamente, qualquer elemento que traga certo desconforto ao espectador, é proposital.

Coloquei a palavra ‘estranhos’ entre aspas, pois (geralmente) não acredito nessa relação de estranheza na arte. Estranho em relação a que? Até o subtítulo adicionado ao filme aqui no Brasil reduz a magnitude que o filme venha a ter, além de chamar certos espectadores a ver o filme apenas por se tratar de “estranhos prazeres”.

O que deve ser feito, primeiramente, é retirar essa idéia de estranho e normal quando se pretende assistir Crash. Li algumas críticas em que os autores declaravam que o filme causa desconforto, incômodo. Felizmente, a mim não causou. E, para mim, apesar da mensagem parecer pobre, um dos “choques” que o filme pode querer dar em quem assiste é que as fantasias sexuais são encaradas com total naturalidade.

Em Crash, a busca pelo prazer sexual é incansável, representada pela frase marcante: “talvez da próxima vez…”. Porém, de forma alguma, essa busca é exposta de uma forma banal, vulgar ou fútil. Para os personagens, é onde está o centro de toda a história: a satisfação pessoal. Crash deveria dá uma sacudida na mente de tantas pessoas conservadoras. Mas tudo isso, são apenas divagações que o filme me fez pensar.

Sobre a história (detesto fazer sinopse). Para muitos, a cena inicial causa um impacto. Se você ficar interessado, vão lhe chamar de pervertido; se você ficar assustado, vão lhe chamar de ‘careta’. Blé, como se eu ligasse para isso. Sim, o filme me chamou atenção desde o começo e me fez ficar interessada: uma mulher extremamente (Catherine Ballard) sensual fazendo sexo com um estranho numa sala repleta de aviões (ou são helicópteros? Esqueci!) te deixa no mínimo intrigado(a) para saber o desenrolar da história.

Continuando, James Ballard é um diretor de cinema casado com Catherine Ballard, e tem um relacionado totalmente não convencional com sua esposa: ambos têm aventuras extraconjugais com o consentimento dos dois lados. Ballard sofre um acidente de carro, e conhece Holly Hunter. No decorrer da trama, ambos descobrem uma paixão por acidentes de carros, e participam de uma espécie de clube onde pessoas se reúnem para simular famosos acidentes de carros, como por exemplo, o que levou à morte do astro James Dean. Dentre eles, Vaughan, é como se fosse o ‘líder’ do grupo, e o mais ‘lunático’ também.

Obviamente, os personagens em Crash são explicitamente outsiders.  Atrevo-me a dizer que talvez isso seja até um erro, pois assim, dá margem para que o fetiche que eles têm possa ser interpretado com mais estranheza ainda.

A partir daí, o limite entre a vida e a morte; a incerteza da continuidade da vida que um carro em alta velocidade pode dar aumenta o prazer para eles. Prazer em alta velocidade: é o que eles querem.

As cenas eróticas são tão bem elaboradas, são lindas! Sim, por que não? Não vi em nenhuma crítica por aí elogiar a sensualidade pulsante do filme, e que não é vulgar. Acho que até a palavra ‘erótico’ já banaliza a obra de Cronenberg, não é um filme sobre sexo, é um filme sobre o prazer, prazer esse que todos procuram, todos sentem.

Naked Lunch – David Cronenberg, 1991

“É uma viagem muito literária. […] É uma viagem kafkiana, você se sente como um inseto.”

Primeiros esclarecimentos: eu não cheguei a ler o livro (Naked Lunch), escrito por Williams Burroughs (que deu origem ao filme). Portanto, aqui, falarei apenas das sensações que tive com a obra de David Cronenberg. E devo dizer que, se você está procurando ter uma viagem psicodélica e não quer alguns ácidos e seus companheiros do submundo passeando por sua corrente sangüínea, então, basta assistir Mistérios e Paixões.

Em Naked Lunch (Mistérios e Paixões) a fotografia escura não permite que identifiquemos claramente todos os elementos nas cenas, o que dá uma sensação de suspense arrepiante. Um filme noir, surreal, a literatura beat, marginal, um certo realismo expostos de forma alucinógena de Burroughs trazidos para imagens igualmente alucinógenas. Tudo isso solto na tela e rodeado por um jazz que oscila entre suave e frenético. O sax tocando ao fundo na abertura e em boa parte do filme me causou uma estranha agonia, senti como se fossem os pensamentos do personagem dançando um jazz psicodélico. A história no filme, condensa um pouco da vida do próprio William Burroughs e do livro Naked Lunch. Então, para melhor compreensão do filme, é bom que se saiba um pouco da vida de Burroughs.

– Pensava que já não fazia coisas estranhas. – William Lee

– Eu também pensava, mas acho que me enganei. – Joan Lee

Trocar uma arma por uma máquina de escrever, o que pode significar? Pode não ser nada além de um personagem muito pobre que possui como valioso uma antiga arma com a qual ele usava para jogos um tanto macabros com sua mulher. Ou, eu posso estar querendo ver mensagens subliminares onde não existem e imaginar que signifique “Faça poemas, não faça guerra!”.

– Eu sofro de alucinações esporádicas. – William Lee.

– Junte-se ao clube! – Joan Frost

Não estou muito interessada em contar a sinopse do filme, é uma ficcção poética, digamos assim. Eu gosto de deixar bem claro que o que escrevo sobre filmes não é nada além de uma opinião não-concreta. Tudo é muito “ausente”, os personagens às vezes parecem vagar pelas ruas como se não pertencessem ao filme. Isso não é um defeito, pois, no contexto, nós vagamos na ruas da nossa vida muitas vezes como se ela (a vida) não fosse nossa.

No Direction Home – Scorsese

No Direction Home é o único documentário que vi sobre Bob Dylan, então não há como comparar com outros, no entanto, é possível perceber a fidelidade e sinceridade com a qual o filme foi feito. É um documentário completo para os fãs de Bob Dylan e também para quem quer conhecer um pouco sobre Robert Zimmerman, o homem que é o rock star, que é poeta, que nos encanta. Sim, conhecer apenas um pouco, Joan Baez fala abertamente no documentário que Bob Dylan é um dos seres humanos mais complexos que ela já encontrou. O filme é recheado de depoimentos de pessoas que conviveram com Bob Dylan durante sua carreira: músicos, produtores, namoradas, amigos, o poeta Allen Ginsberg é um deles (sou grande fã desse poeta, não que isso caiba aqui, mas vou fugir do assunto e dizer que: leiam Allen Ginsberg!). No Direction Home também traz entrevistas e pedaços dos shows mais polêmicos que Bob Dylan fez, principalmente na época em que ele foi muito criticado por começar a usar guitarra elétrica e uma banda de apoio. O condenaram, o chamaram de Judas, de traidor (do movimento folk e das músicas de protesto). O mais encantador é que Dylan soube passar por essa fase de um modo totalmente consciente de seus próprios ideais, do que estava e queria continuar fazendo, ele respondia as vaias e as perguntas idiotas dos repórteres com bom humor e ironia, e sabia quem ele era e o que queria, Bob Dylan não foi um produto e nem se vendou a ninguém, fizeram dele uma imagem, fizeram dele um produto que ele próprio não queria ser. Mas Bob não é um herói invencível, ele confessa que se sentiu confuso com tudo aquilo, que teve vontade de lagar tudo, que ficou decepcionado, mas ninguém diz a uma estrela quando ela deve brilhar nem por qual caminho ela deve ir, não é?

“How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?”

The Royal Tenenbaums – Wes Anderson, 2001

Resumidamente eu poderia dizer que The Royal Tenenbaums é um filme ao estilo de “Uma Vida Iluminada”, “Eu, você e todos nós” e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”: alguns acontecimentos por mais comuns que sejam são referidos  pela voz off ou por uma personagem e daí insere-se uma seqüência com a ilustração do sucedido; personagens peculiares e cativantes (daqueles que ao fim da estória parecem que se tornaram seus amigos); e um humor sutil que deixa o filme divertido sem ser nem um pouco idiota. E realmente essa forma de contar torna o filme especial.

Então, “Senta que lá vem história”

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Royal Tenenbaum (interpretado por Gene Hackman, e sim, Royal é o primeiro nome dele) é o pai da família Tenenbaum, composta pela mãe Etheline Tenenbaum (Angelica Huston) e os três filhos Margot, Chas e Richie (Gwyneth Paltrow, Ben Stiller e Luke Wilson, respectivamente); que foram crianças prodígio, mas que se desvaneceram ao crescer.

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Royal é um tremendo cara de pau que sempre diz a coisa errada na hora errada (mas isso o torna bem engraçado). Foi um péssimo marido e um pai ainda pior, mas… não por mal.

A trama começa com a separação de Royal a Etheline e a partir daí, cada um da família vai seguindo sua vida…

Quando Sherman (Danny Glover), contabilista de Etheline, lhe propõe casamento, todos os filhos voltam para a casa, afinal “nada como o nosso lar”; então, Royal decide que é hora de reconstruir a sua família e “descobrindo” que está prestes a morrer de câncer, sendo o seu último desejo reunir-se com a família.

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Deixando essa sinopse mal contada de lado (isso pode se encontrar em qualquer lugar) e voltando as minhas impressões sobre o filme, ele vale, também, pelos atores e as suas interpretações. Cada um muito bem trabalhado, assim, como a própria estória foi bem conduzida até o fim.

Alguns detalhes: o filme se passa como se fosse um livro sendo lido, ou contado, (com um prólogo, uma introdução de personagens e um epílogo, usando títulos e legendas) fazendo pequenos intervalos para contar casos específicos, ou flashbacks de episódios da vida das personagens.

Por fim, o tema “família” nunca será algo chato, ainda mais quando se trata de uma tão excêntrica quanto a dos Tenenbaums. O filme mostra como em todo lar cada um tem seus traumas, seu defeitos, paranóias, com inseguranças e medos e que cometem erros e magoam outras pessoas. Todas as personagens magoaram umas às outras de alguma forma, e, sobretudo, todas foram magoadas e desiludidas por Royal Tenenbaum. Tudo isso fala, sobretudo, de redenção, e com isso temos um ótimo filme.

E apesar de eu falar como se fosse um filme comum, este não é. Talvez dentre o círculo de filmes mais “alternativos” (não gostar desse rótulo) talvez ele até seja, mas dentre os milhares de filmes com produção estadunidense que quando abordam esse tema vêm sempre cheios daqueles melodramas tirados de livros de auto-ajuda, os Tenenbaums fogem a isso.

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Um Pouco da Trilha Sonora, que é outra preciosidade do filme:

# “Hey Jude” by The Mutato Muzika Orchestra

# “Look at Me” by John Lennon

# “These Days” by Nico

# “Police & Thieves” by The Clash

# “Wigwam” by Bob Dylan

# “Lullabye” by Emitt Rhodes

# “Raleigh & Margot” by Mark Mothersbaugh

# “Me and Julio Down by the Schoolyard” by Paul Simon

# “Billy – Main Title” by Bob Dylan

# “Judy is a Punk” by The Ramones

# “Needle in the Hay” by Elliott Smith

# “Fly” by Nick Drake

# “She Smiled Sweetly” by The Rolling Stones

# “Ruby Tuesday” by The Rolling Stones

# “Stephanie Says” by The Velvet Underground

# “Rock the Casbah” by The Clash

# “The Fairest Of The Seasons” by Nico

# “Everyone” by Van Morrison

P.S. Eu quase choro quando tocou Elliot Smith

Por: Nádia Camuça

S de Sonho.

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V de Vingança.
– do original: V for Vendetta.
“O artista usa a mentira para contar a verdade e os políticos, para encobrí-la.”

Superficialmente, eu poderia dizer que é um filme sobre uma HQ.
Americano.
Fantasioso.
E terminar esse post por aqui.
Mas eu não posso.

V de Vingança surpreende.
Tira a péssima impressão que o nome dá.
Daqueles filmes da “Tela Quente”, que os efeitos vão explodir na sua cara.
Explode, mas não os efeitos.
A esperança.
– “Igualdade, justiça e liberdade são mais que palavras; são perspectivas!”

Codinome V não é um vingador.
Por mais que isso pareça.
Novamente, olhando de forma superficial.
V é um sonhador.
Ou mais, um realizador de sonho.

Pessoa desconhecida.
Vítima de campos de concentração e teste científicos.
Sobrevivente.
Usa máscara de Guy Fawkes, o velho satirizado.
Para esconder as marcas de seu sofrimento e a razão de sua “vingança”.

Num futuro alternativo, em que vemos claramente a sombra de nosso passado real, situa-se a história.
– Quem não vê Hitler em Sutler?
A Inglaterra vive presa.
Esconde-se no toque de reconher.
Respira o medo que mora no autoritarismo e na destruição do “anormal”.
Pessoas devem seguir um paradigma imposto.
– “Estamos presos ao modelo, somos parte dele.”
Sucumbir as ordens.
E fingir que vivem felizes.
V reativa a esperança de que é possível lutar contra intolerância.
Contra padrões prontos.
E a dominação da mídia.

Em Hammond, vemos a reconstrução.
O renascimento.
A prova de que podemos nos recriar a partir da dor.
Quando aceitamos o que somos.
E abraçamos nosso ideal.
Defendendo-o até a morte.
Por isso, com ela, (re)nasce também a confiança.
E a certeza.

Ao fim, fica a idéia.
E o sonho.
A idéia de revolução.
Para nossa sorte, “um homem pode morrer, lutar, falhar, até mesmo ser esquecido, mas sua idéia pode modificar o mundo mesmo tendo passado 400 anos”.
“As idéias são a prova de balas”.

Por: Joon.